Voz dos Adolescentes

Observatório dos Adolescentes inicia ações de mobilização em Fortaleza

FORTALEZA, 19 de agosto, 2011 - Chegou de mansinho. Jeito de quem não quer interromper, tampouco atrapalhar. Só mesmo ter certeza. Perguntou baixinho o que se tratava da expectativa do grupo. Era Manoel, enquanto falava a secretária nacional de promoção dos direitos da criança e do adolescente, Carmen Silveira de Oliveira.

Ele, o porta-voz do inadiável. Trazia na lembrança os dois dias atrás. A participação na Caravana dos Direitos Humanos legitimava o interesse do garoto de 11 anos. Queria saber sobre a continuidade do projeto, que bem havia começado da forma preferida por eles: espaço aberto e democrático, onde ninguém fica de fora.

Do mais novo ao mais velho, por quais lentes fossem, avistava-se o ideal. Crianças, adolescentes e jovens convidados a expressar sua leitura de mundo. Chamados a dizer quais reflexos tem a vida de quem nasce e cresce no Ceará. Um passo inicial no marco de implantação do Observatório dos Adolescentes no estado. A resposta veio nas colagens, filmagens e fotografias. No debate sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, até ali desconhecido pela maioria. Como ainda são os recursos e as armadilhas da internet para alguns. Da mesma forma que o direito garantido por lei e o dever relegado ao léu. Por ora!

Afinal, que valor teria o encontro de gerações e a tentativa de conciliar o diálogo, não fosse a já concebida necessidade de repensar responsabilidades. Violar o essencial ao ser humano culmina na evidência incontestável: não há mais tempo de espera. Para o silêncio, menos ainda.

Bate-papo encerra visita da Caravana dos Direitos Humanos no Ceará

A propósito de uma nova consciência participativa, a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNPDCA) lançou, em Fortaleza, o indispensável ao que se pretende. Ouvir o que tem a dizer meninas e meninos sobre sua realidade, assistida ou não, atende princípios básicos de respeito à cidadania. Traz subsídios para a planejamento de ações.

Por mais de uma hora, eles contaram suas histórias, expuseram anseios e demonstraram que incidência política é uma questão de oportunidade. Aos mais de 100 representantes da infância e adolescência daquela cidade, a secretária Carmen Oliveira apontou caminhos possíveis a contento da participação e do protagonismo. Trata-se de uma inclinação do Estado ao reconhecimento de que minimizar impactos de vulnerabilidade social supõe, antes, o preparo dos futuros gestores da política nacional.

Atento à deixa, surgia Manoel, em nome dos milhares de ‘brasileirinhos’. A curiosidade até poderia ser saciada por um ‘sim, está implantado o Observatório dos Adolescentes no Ceará’ ou ‘não, a Caravana segue agora para outras regiões do país’. Ambas, no entanto, deixariam no ar a mesma interrogação. Porque certas respostas só podem ser construídas dia-a-dia e, neste sentido, não há quem possa formulá-las sozinho. Do contrário, estariam fadadas ao fim em si mesmas.

Por Letícia de Albuquerque

*Conheça os Observatórios dos Adolescentes: www.obscriancaeadolescente.gov.br/

 
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